Bets e jogos de azar: quando a aposta vira risco para a saúde mental

 

Entenda os riscos das bets esportivas, sinais de vício em apostas e quando buscar ajuda para cuidar da saúde mental.

O vício em apostas esportivas e jogos on-line pode causar ansiedade, endividamento, comportamento compulsivo e prejuízos à saúde mental. Esse problema tem crescido no Brasil, especialmente entre jovens e usuários frequentes de plataformas digitais do gênero.

Em períodos de grandes competições, como a Copa do Mundo e os campeonatos nacionais de futebol, a exposição a essas práticas tende a aumentar. Com promessas de diversão e ganhos rápidos, as apostas conquistam cada vez mais pessoas, o que reforça a necessidade de informação e conscientização sobre seus possíveis impactos.

Neste artigo, o Viver Bem explica o que são as bets e os jogos de azar, os riscos associados ao vício, como as apostas esportivas podem se tornar um comportamento compulsivo e quando e onde procurar ajuda

O que são bets e jogos de azar?
Bets são plataformas on-line nas quais usuários apostam dinheiro real em resultados esportivos ou outros eventos. O funcionamento é simples: a pessoa escolhe um resultado, define um valor e, se acertar, recebe um retorno financeiro. Tudo acontece de forma rápida, prática e acessível, por meio de sites ou aplicativos.

Nas apostas esportivas, muito comuns em partidas de futebol, é possível “arriscar” em diferentes aspectos do jogo, como o resultado final, o número de gols, o placar, os cartões, os escanteios, o desempenho de jogadores, entre outros. A ampla variedade de opções, aliada à possibilidade de apostar durante a partida, pode aumentar a frequência de uso e dificultar a definição de limites.

Já os jogos de azar abrangem uma categoria mais ampla de atividades baseadas principalmente na sorte, como roletas, bingos, loterias, caça-níqueis e jogos de cassino. Ao contrário de jogos de habilidade, o fator decisivo aqui é imprevisível, o que aumenta os riscos de perdas financeiras.

Embora muitas vezes sejam vistos como inofensivos, esses jogos apresentam alto potencial de causar dependência, especialmente quando envolvem dinheiro, fácil acesso e estímulos constantes. O problema se intensifica quando as apostas deixam de ser apenas uma prática de lazer e passam a ocupar um espaço significativo na vida emocional e financeira da pessoa.

O crescimento das apostas no Brasil
As bets vêm se popularizando rapidamente no país. Uma pesquisa do DataSenado revelou que mais de 22 milhões de brasileiros apostaram on-line em apenas um mês, com destaque para aqueles de até 39 anos. O setor já movimenta cifras bilionárias, tendo ficado acima dos R$ 17 bilhões em receita bruta somente no 1º semestre de 2025.

Um levantamento do Instituto Locomotiva, divulgado pela Agência Brasil, apontou que ao menos 6 em cada 10 apostadores usaram plataformas irregulares em 2025. O impacto vai além da economia: muitas famílias enfrentam consequências financeiras e emocionais causadas pelo uso excessivo dessas plataformas.

Por que as apostas esportivas ganham força em grandes campeonatos?
Grandes eventos esportivos concentram emoção, torcida, rivalidade e alto volume de conteúdo sobre jogos. Durante a Copa do Mundo e outros campeonatos de futebol, por exemplo, mesmo pessoas que não acompanham o esporte com frequência podem entrar em bolões ou fazer apostas ocasionais, motivadas pelo clima coletivo das partidas.

Essa combinação exige atenção. A exposição repetida a propagandas, odds (cotações), palpites e promessas de ganho rápido podem reforçar a ideia de que apostar faz parte da experiência de assistir ao jogo. Quando isso ocorre, a pessoa pode começar com pequenas apostas e, aos poucos, aumentar valores, frequência e envolvimento emocional.

O risco não está apenas na quantidade apostada, mas também na relação que a pessoa passa a construir com a aposta. Quando o resultado do jogo afeta o humor, gera ansiedade, compromete o orçamento ou leva a novas apostas para tentar recuperar perdas, o comportamento deixa de ser apenas entretenimento e pode indicar perda de controle.

Como o vício em apostas afeta a saúde mental?
A facilidade de acesso às plataformas de apostas, aliada a estímulos constantes e à promessa de ganhos rápidos, faz com que as apostas on-line tenham alto potencial de levar ao vício. Trata-se de um transtorno comportamental reconhecido na área da saúde, capaz de impactar a vida emocional, familiar e financeira da pessoa.

No caso das apostas esportivas, alguns fatores aumentam ainda mais esse risco, como as apostas em tempo real, as notificações frequentes, as ofertas promocionais e bônus, a sensação de controle sobre os resultados e a possibilidade de apostar em diferentes momentos e eventos de uma mesma partida.

Esses elementos podem estimular a repetição da prática e dificultar a interrupção do comportamento. O vício em jogos pode gerar:

Ansiedade e depressão.
Endividamento e perda de recursos financeiros.
Prejuízos nas relações afetivas e sociais.
Dificuldades no trabalho ou nos estudos.
Sofrimento emocional intenso, especialmente nos casos mais graves.
Muitas vezes, a pessoa com vício em jogo percebe tarde demais os prejuízos, pois o impulso de “recuperar o que perdeu” alimenta o ciclo do vício.

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7 sintomas de ansiedade que merecem sua atenção

Sinais de alerta para o vício em bets
Nem sempre é fácil perceber quando a relação com as apostas se tornou arriscada. Em muitos casos, o apostador acredita que ainda está no controle, mesmo quando os prejuízos já são evidentes.

Alguns sinais merecem atenção:

Aumento progressivo dos valores apostados.
Frequência de apostas maior do que o planejado.
Tentativas de parar ou reduzir as apostas sem sucesso.
Sensação de ansiedade, irritação ou culpa após apostar.
Uso das apostas como forma de tentar recuperar perdas anteriores.
Ocultação de apostas, valores ou dívidas de familiares.
Utilização de dinheiro destinado a despesas essenciais ou contas da casa.

Prejuízo em atividades importantes, como estudos, trabalho, sono ou convivência social.
Oscilação de humor que depende dos resultados das apostas.
Quando esses sinais estão presentes, buscar ajuda profissional é uma atitude de cuidado e prevenção. Quanto mais cedo iniciar o apoio, maiores são as chances de reduzir os impactos emocionais, financeiros e familiares associados ao problema.

Como ajudar uma pessoa viciada em jogos de azar?

A dependência em jogos pode afetar profundamente a vida de quem joga e das pessoas ao redor. Se você convive com alguém nessa situação, o apoio familiar e emocional faz a diferença no processo de recuperação.

Veja algumas atitudes recomendadas:

Converse com empatia: escolha um momento calmo, sem críticas ou julgamentos, e mostre que você está preocupado com o bem-estar da pessoa.
Sugira buscar ajuda profissional: encoraje o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, explicando que o vício é uma condição que pode e deve ser tratada.
Estabeleça limites financeiros: evite emprestar dinheiro ou assumir dívidas. Essa atitude ajuda a interromper o ciclo de perdas e a estimular a responsabilidade.
Ofereça alternativas saudáveis: incentive atividades que promovam bem-estar físico e emocional, como exercícios, hobbies e convivência com amigos.
Apoie, mas com firmeza: demonstre apoio, mas sem facilitar ou sustentar o comportamento compulsivo.
Evite tratar a situação como brincadeira: tenha em mente que frases como “é só parar” ou “foi falta de controle” podem aumentar a culpa e dificultar a busca por ajuda. O mais adequado é acolher, orientar e incentivar cuidados especializados.
A recuperação é possível, mas exige paciência, acolhimento e suporte de profissionais especializados.

Como prevenir o vício em apostas esportivas?
A prevenção começa pela informação. Entender que as bets são desenhadas para manter o usuário engajado ajuda a reduzir a ideia de que apostar é um modo simples de ganhar dinheiro. Também é importante reconhecer que sorte, emoção e conhecimento esportivo não garantem controle sobre perdas.

Algumas medidas podem auxiliar a diminuir riscos:

Evitar apostar em momentos de ansiedade, tristeza, raiva ou euforia.
Não usar apostas como forma de recuperar dinheiro perdido.
Definir limites financeiros rígidos e nunca usar dinheiro de contas ou despesas da família.
Desativar notificações de aplicativos e conteúdo que estimulem apostas.
Evitar acompanhar jogos apenas pelo interesse financeiro.
Conversar com alguém de confiança ao perceber dificuldade para parar.
Buscar apoio profissional diante de sinais de perda de controle.
A prevenção também envolve o cuidado com a saúde mental. Ansiedade, estresse, solidão e dificuldades financeiras podem aumentar a vulnerabilidade ao uso excessivo de apostas como tentativa de alívio emocional.

A legalização das apostas no Brasil: o que está em discussão?
As apostas esportivas on-line foram regulamentadas no Brasil com a Lei nº 14.790/2023, sancionada em dezembro de 2023. A nova regra exige que as empresas obtenham licença do Ministério da Fazenda e sigam critérios de segurança e transparência.

Por outro lado, os chamados “jogos de azar”, como roletas, bingos e cassinos seguem proibidos no país, salvo exceções previstas em lei específica.

Mesmo em um cenário regulamentado, a legalização das apostas não elimina os riscos de dependência, endividamento e sofrimento emocional. Por isso, o acesso à informação, as estratégias de prevenção e a busca por ajuda especializada seguem sendo fundamentais.

Onde encontrar ajuda para a dependência de apostas?
Se você ou alguém que conhece está enfrentando dificuldades com apostas, é importante saber onde e como buscar assistência.

Clientes Unimed-BH podem contar com a Consulta On-line de Saúde Mental, disponível no aplicativo conforme cobertura e necessidade de cuidado. Para acessar, entre no aplicativo da Unimed-BH e acesse Consultas > Mais Serviços > Saúde Mental.

Por lá, você inicia sua jornada de cuidado emocional, respondendo a algumas perguntas sobre como tem se sentido nas últimas semanas. Com base nas suas respostas, entendemos seu contexto para encaminhar você ao atendimento mais adequado.

A consulta on-line pode ser uma porta de entrada para conversar com um profissional, avaliar sintomas, receber orientações iniciais e entender os passos seguintes indicados para cada caso.

Além disso, conversar com o médico de referência é uma medida importante para quem precisa lidar com comportamento compulsivo, como o vício em jogos, pois possibilita o acesso à orientação qualificada e, quando necessário, ao direcionamento para serviços especializados.

Esses espaços podem ser um ponto de partida para pessoas que precisam lidar com compulsões, como o vício em jogos, com orientação qualificada e apoio coletivo.

Conteúdo copiado de:  https://viverbem.unimedbh.com.br/

ATUALIZADO EM 10/06/2026

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