O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo urgente por regras globais harmonizadas para governar a Inteligência Artificial (IA), alertando que a tecnologia avança mais rápido do que a supervisão pública e coloca em risco o bem-estar e a segurança das crianças.
O pronunciamento ocorreu durante o primeiro diálogo governamental global sobre governança da IA, em Genebra.
Principais Pontos do Alerta da ONUVelocidade descontrolada: A IA levou apenas dois anos para atingir um bilhão de usuários.
Ela se expande em um ritmo que governos, empresas e até os próprios desenvolvedores não conseguem acompanhar.
Impacto no público infantil: Ferramentas de IA já afetam o aprendizado, as amizades e o psicológico dos menores sem que testes prévios de segurança tenham sido realizados. Um estudo do Unicef revelou que cerca de 20 milhões de crianças já utilizam essas tecnologias, uma taxa de adesão três vezes maior que a dos adultos.
Riscos iminentes: Menores estão expostos a golpes, desinformação, manipulação emocional e à criação de deepfakes de teor sexualmente explícito.
Diretrizes Propostas para Proteger Menores Paralelamente ao evento, uma coalizão de mais de 100 organizações internacionais (liderada pela 5Rights Foundation) exigiu medidas que reforçam o posicionamento da ONU:
Inversão de responsabilidade: A obrigação de garantir a segurança digital deve ser das empresas de tecnologia antes de lançarem os produtos, e não dos pais.
Bloqueio de conteúdos nocivos: Proibição estrita de geração de imagens ou simulações sexuais de menores por IA.
Suporte emocional imediato: Interrupção da interação da IA e redirecionamento para um atendente humano caso o sistema detecte sinais de sofrimento psicológico na criança.
Sanções severas: Aplicação de punições financeiras a empresas que violem os direitos infantis e veto ao uso comercial de dados biométricos, vozes e imagens de menores.
O objetivo da ONU não é frear a inovação tecnológica, mas garantir salvaguardas internacionais para que o avanço econômico não ocorra às custas da integridade da infância.
Fonte: Olhar digital
